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Chapada dos Veadeiros: o guia definitivo para quem quer ir além das trilhas conhecidas

Cachoeiras secretas, comunidades quilombolas, céu estrelado sem igual e uma biodiversidade que surpreende até os naturalistas mais experientes. A Chapada dos Veadeiros tem muito mais do que os cartões-postais mostram.

Por Pedro Azevedo · 3 de julho de 2025

A Chapada dos Veadeiros fica no coração do Brasil — literalmente. O Parque Nacional, no estado de Goiás, está a cerca de 250 quilômetros de Brasília e é um dos destinos de ecoturismo mais visitados do país. Mas a maioria dos visitantes vê apenas uma fração do que a região tem a oferecer.

As trilhas mais famosas — Vale da Lua, Cariocas e Almécegas — são magníficas. Mas a Chapada tem mais de 600 mil hectares de Cerrado preservado, dezenas de cachoeiras sem nome nos mapas turísticos e comunidades que vivem na região há séculos e conhecem cada vereda, cada poço, cada formação rochosa.

Além do parque nacional

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é apenas parte da história. A região ao redor — os municípios de Alto Paraíso, São Jorge, Cavalcante e Colinas do Sul — tem uma riqueza cultural e natural que poucos turistas exploram.

Em Cavalcante, a comunidade quilombola Kalunga é a maior do Brasil, com cerca de 8 mil descendentes de escravizados que vivem em um território de 260 mil hectares. Eles recebem visitantes em projetos de turismo comunitário que incluem trilhas guiadas, refeições tradicionais e hospedagem em casas de família.

"A Chapada que os turistas conhecem é a vitrine. A Chapada que a gente conhece é a casa." — Seu Geraldo, guia Kalunga de Cavalcante

Quando ir

A Chapada tem duas estações bem definidas: seca (maio a setembro) e chuvosa (outubro a abril). A estação seca é a mais popular para turismo — os rios ficam mais baixos, as trilhas mais fáceis e o céu mais limpo. Mas a estação chuvosa tem seu charme: a vegetação fica exuberante, as cachoeiras ganham volume e os preços caem significativamente.

Dicas práticas

Onde ficar

Alto Paraíso é a base mais estruturada, com pousadas para todos os bolsos, restaurantes variados e boa infraestrutura. São Jorge é menor e mais rústico — ideal para quem quer ficar mais perto do parque e aceita abrir mão de algumas comodidades. Cavalcante é a porta de entrada para o território Kalunga e tem uma atmosfera mais autêntica e menos turística.

PA
Pedro Azevedo
Editor de Viagens
Pedro percorreu todos os estados brasileiros e escreve sobre destinos nacionais há 12 anos. Formado em jornalismo pela UnB, é especialista em ecoturismo e turismo comunitário.